Quinta Formosa turismo rural com ambiente familiar

A Revista Aldeias Vivas esteve à conversa com Lurdes Porfírio, proprietária do turismo rural em Vale Formoso. Desconhecido por uns e adorado por outros, vamos dar a conhecer um pouco mais sobre a Quinta Formosa.

AV:Qual foi o ano de início da Quinta Formosa?
LP: A Quinta Formosa tem 22 anos.

AV: Como surgiu a ideia de se criar um turismo rural?
LP: Surgiu através de uma brincadeira com o Sr. Arménio Matias. Ele frequentava a minha casa com regularidade e houve um dia que me sugeriu que eu fizesse da quinta um turismo rural, confesso que não foi fácil porque era um investimento muito grande, após alguns dias de reflexão candidatei me na RUDE (Associação de Desenvolvimento Rural) e com a ajuda deles consegui criar o turismo rural.

Hoje em dia, sinto me muito contente porque convivo com pessoas de todo o mundo.

“O sumo de laranja é de fruta natural bem como as compotas que também são feitas por mim, sendo isto que distingue a minha casa das outras, tudo o que aqui se serve é aqui produzido”

AV:Quais os serviços que possuem?
LP: Temos uma piscina, uma sala de jogos (matraquilhos, snooker), bem como bicicletas e a nível de quartos dispomos de 5.

Em relação ao atendimento é feito de igual forma para todos, o pequeno almoço é igual para todos, varia é consoante os dias da estadia, ou seja, o primeiro dia comem uma coisa, no segundo outra e assim. O sumo de laranja é de fruta natural bem como as compotas que também são feitas por mim, sendo isto que distingue a minha casa das outras, tudo o que aqui se serve é aqui produzido.

AV:Onde é possível reservar?
LP:Eu desde sempre que trabalhei com o booking, é aliás através dele que as reservas me chegam. No início é através do booking e só depois de cá terem estado é que passa então a ser feito através do telefone. Após a estadia recebo igualmente a classificação dos hóspedes, esta que normalmente é sempre boa.

“Ainda hoje uma hóspede me disse que nunca mais chegava o inverno para se fazer o magusto que se faz todos os anos”

AV:Tem tido muita procura atualmente?
LP:Não como nos outros anos, houve pessoas que cancelaram e outras que já estão a tentar reservar agora novamente porque começaram a ver as normas que temos aplicado, sou muito exigente no que diz respeito às regras que nos foram impostas. Não deixo que ninguém circule sem máscara, existem desinfetantes em todos os andares e os clientes entram por uma determinada porta que contém um tapete para desinfetar e só então utilizam a sala do pequeno almoço para a refeição em si.

AV: Acha que as pessoas preferem as aldeias para se instalarem?
LP:Sim, agora nesta época acho que sim é um ambiente mais calmo e diferente. As pessoas tinham uma ideia diferente do que era um turismo rural, tendo até mudado a opinião sobre isso, como resultado, veem que é como um ambiente familiar entre todos. Ainda hoje uma hóspede me disse que nunca mais chegava o inverno para se fazer o magusto que se faz todos os anos, todavia, agora nesta situação é complicado e não sabemos se será possível ainda ou não devido à pandemia.

No que diz respeito à aldeia, considero que seria bom existir algo que fizesse com que elas se instalassem, colocando, por exemplo, preços mais acessíveis no arrendamento de casas o que faria com que houvesse mais gente.

Tenho também a Casa do Avô Albertino no centro da aldeia que está agregada ao turismo rural, esta que possui 3 quartos.

AV: Considera que esta é uma zona de interesse para os turistas?
LP: Sim, no inverno mais porque a maior parte dos meus hóspedes querem ir sempre à Serra da Estrela devido à neve, a vila de Belmonte também atrai muitos visitantes, tenho muitos israelitas como clientes.  No verão acabam por visitar as aldeias históricas. Aqui na aldeia de Vale Formoso acho que fazia falta um restaurante porque tenho de os aconselhar a deslocarem-se a outras localidades, visto aqui não haver. Acho triste, porque até gostava que a nossa aldeia tivesse mais movimento.

“Já recebi muitas pessoas famosas desde cantores a jornalistas, entre eles, Tony Carreira, Nicolau Breyner, a Romana, Conceição Lino, entre outros”

AV:Considera uma mais valia ter um turismo rural numa aldeia? LP:Sim, eu própria acabo por dar referência de alguns sítios na aldeia que os turistas possam visitar, tal como o miradouro, mas considero que falta algo na aldeia que atraísse os visitantes logo eles acabam por ir para fora da aldeia. Indo para Belmonte, Covilhã, Guarda, Piódão, Sortelha, entre outras.

AV:Quais os principais clientes? De que zona são?
LP:Recebo clientes de todo o lado, quer do Norte e do Sul de Portugal, e em relação a estrangeiros nomeadamente espanhóis, ingleses, franceses assim como de outras nacionalidades. Muito deles vem cá mais que uma vez e, com efeito, criando laços de amizade o que realmente faz com que tudo valha a pena.

Já recebi muitas pessoas famosas desde cantores a jornalistas, entre eles, Tony Carreira, Nicolau Breyner, a Romana, Conceição Lino, entre outros.

Quando os hóspedes permanecem mais que uma noite nós oferecemos-lhe papas de carolo, uma sobremesa aqui da nossa região.

Lurdes Porfírio também é proprietária do minimercado situado no centro da aldeia

Após a morte do Sr. Albertino, ficou encarregue de gerir o minimercado, este que ainda hoje é, aliás, conhecido por toda a população pelo minimercado do Sr. Albertino.

LP: Na altura da pandemia foi o seu auge, pois as pessoas iam lá muita vez. Gostava que o continuassem a fazer de forma a que o comércio tradicional não acabasse na aldeia. As pessoas são livres de irem ao supermercado, tal como eu também o faço, mas se puderem ajudar os comércios da terra já era uma boa ajuda,  pois aqui eu só tenho aquilo que se vende, não me compensa ter cá produtos que não se vendem diariamente. Passo muitos dias na loja sem ver ninguém o que é um bocado frustrante.

AV:Há quantos anos está aberto?
LP:O meu pai fez cá os 50 anos, eu mantenho a loja aberta porque ele me pediu muito para que o fizesse, mas não sei por quanto mais tempo irei conseguir aguentar. O horário atualmente é das 9 ao 12 e das 17 às 19 horas. Ao sábado permanece igual, ou seja, das 9 às 13 e das 15:30 até às 17 horas.

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