António Fonseca viveu em Vale Formoso

António Monteiro da Fonseca nasceu dia 17 de janeiro de 1895 no lugar da Torre, na freguesia de Casal de Cinza, concelho da Guarda.

Ingressou no Seminário Diocesano do Mondego, após os estudos primários na sua aldeia, no entanto, não seguiu a carreira eclesiástica, em parte devido à Revolução Republicana de 5 de outubro de 1910. Após a realização dos estudos secundários na Guarda, ingressou então na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica.

Incorporou também o exército como oficial miliciano, cumprindo três anos de serviço militar.

Em Coimbra, foi discípulo de Eugénio de Castro bem como condiscípulo de Vitorino Nemésio, José Régio, Santana Dionísio e outros intelectuais. Nesta cidade foi companheiro e amigo do grande poeta José Régio. Além disso, teve um papel ativo na vida académica, integrando a Tuna Académica da Universidade de Coimbra e o Orfeon Académico de Coimbra. Nesse tempo, chegou até a escrever um fado, cujo o nome é “Capas ao Vento”.

…fundou o Colégio Internato Académico da Guarda e colaborou na criação da Escola Industrial e Comercial da Guarda…

Publicou obras poéticas, textos jornalísticos, assim como um estudo sobre o sebastianismo, deu palestras e colaborou em jornais com Ernesto Pereira e Ladislau Patrício. Pedagogo exímio, fundou o Colégio Internato Académico da Guarda e colaborou na criação da Escola Industrial e Comercial da mesma cidade. Lecionando as línguas francesa bem como a língua portuguesa durante dezenas de anos e em diversas cidades do país, especialmente na Guarda (Liceu Nacional), Figueira da Foz e Coimbra. Ademais, fez parte de um grupo de professores de uma geração marcante da Guarda.

A Revista Aldeias Vivas esteve à conversa com uma das suas filhas que, mora na aldeia de Vale Formoso à mais de 50 anos. Teresa Ferreira deu-nos a conhecer um pouco mais sobre a vida do seu pai.

“o meu pai faleceu com 92 anos a 15 de agosto de 1986, ainda tinha boas capacidades mentais, continuou sempre a escrever…”

“Bem, o meu pai faleceu com 92 anos a 15 de agosto de 1986, ainda assim tinha boas capacidades mentais, continuou sempre a escrever, foi professor em várias terras e fundou a Escola Comercial e Industrial na Guarda. Ele tinha 5 irmãos, sendo ele um dos mais velhos. 

Estive dois anos na Guarda eu e a minha irmã, vivi na casa do Sidónio Pais, onde atualmente é a Delegação de Saúde, ele na altura era professor no Liceu, todavia, depois fomos para Coimbra onde fui professora num Colégio Roseiral de Santa Teresinha.

Ele fez várias entrevistas à radio altitude, fazia quase todas as conferências nas terras à volta, como por exemplo o dia dos estudantes, os 100 anos do município da Guarda, entre outras.

O Lagar das Lajes em Aldeia do Souto era nosso, quando ele faleceu nós vendemos, tal como aconteceu no Paúl. O meu pai tem vários livros publicados, até já dei alguns à Câmara Municipal de Belmonte para a sua biblioteca.

“…cheguei a falar devido à possibilidade de se dar o nome do meu pai a uma rua na aldeia…”

AV:O seu pai morou em Vale Formoso?
TF: Sim, moramos na casa que se encontra no Largo do Terreiro uns 6 ou 7 anos, também chegou a morar no Paúl. Ele deixou de lecionar durante algum tempo para tomar conta da herança da minha mãe. Há uns tempos atrás, na altura da presidência do Sr. Arménio cheguei a falar com ele devido à possibilidade de se dar o nome do meu pai a uma rua na aldeia, não sei se houve divergências ou não, mas a ideia nunca avançou. Tinha muito gosto e orgulho em que houvesse uma fotografia colocada na casa em Vale Formoso, idêntica à que está na casa da Guarda e na freguesia de Casal de Cinza, dado que foi o meu avô que a mandou fazer. Essa casa foi construída em 1881 ou 1891 já não me recordo bem. Era um orgulho para mim sendo filha dele e até porque sou muito parecida com ele na maneira de ser. 

“…ele fez um poema dedicado à irmã que faleceu, ao José Régio colega dele, a nós filhas…”

AV: Quais os eventos e homenagens que já foram feitos?
TF: Em fevereiro de 2017, o meu pai foi homenageado na Biblioteca Eduardo Lourenço na Guarda, houve uma exposição composta por objetos pessoais dele, e nós partilhamos algumas recordações que temos dele, enquanto homem, poeta e professor. Foi nesse ano que um sobrinho meu conseguiu juntar a família toda, onde fizemos um almoço na terra natal do meu pai. Foi igualmente nesse ano que foi colocada uma lápide na casa dele onde escreveram “aqui nasceu o Dr. António Monteiro da Fonseca”, numa casa na Guarda também se fez o mesmo. E é na cidade mais alta que também tem uma rua com o seu nome.

AV: Ele fazia sempre poemas dedicados à família e amigos?
TF: Sim, ele fez um poema dedicado à irmã que faleceu, ao José Régio colega dele, a nós filhas, aos seus pais e até a momentos que foi passando na terra dele entre outros.

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2 thoughts on “António Fonseca viveu em Vale Formoso

  • Junho 29, 2020 at 3:43 pm
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    O Senhor Dr. Monteiro como era tratado na minha terra Vale Formoso foi pessoa sempre muito respeitada, muito discreto tal como sua esposa e as duas filhas.,meninas muito finas e educadas. Pertenciam a Família mais nobre de Vale Formoso e não só. Lembro-me muito bem deles. Se alguém merecia ser lembrado numa das ruas de Vale Formoso o Senhor Dr. ANTÓNIO MONTEIRO seria uma dessas pessoas tal como ser uma placa afixada numa parede da Bela casa que ainda hoje é pertença da Família, mesmo longe fico feliz quando leio coisas boas da minha terra sobretudo quando se fala de pessoas que lhe deram e dão ainda valor. NEM SEMPRE, TUDO TEMPO LEVOU!

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