De Mortágua para Aldeia do Souto

Paulo Martins, de 51 anos de idade, é natural de Mortágua e decidiu escolher Aldeia do Souto como a sua segunda morada. Estivemos à conversa com ele e ficámos a conhecer a sua opinião acerca das aldeias.

Como veio parar a Aldeia do Souto?
Vim parar a esta aldeia casuisticamente, gosto muito do sítio e decidi comprar cá uma quinta em 2017. Desde os meus 16 anos que frequento esta zona daí o meu gosto por este recanto. Não vivo cá, mas venho com muita frequência.

Quais as diferenças das aldeias do antigamente para hoje em dia?
Uma diferença que destaco, é a falta de população jovem. As pessoas que por cá encontro são aquelas que realmente gostam de viver na aldeia e também as pessoas mais idosas que já tem demasiados vínculos à aldeia.

“O único ponto que vejo que é comum a todas as aldeias é que os jovens depois de se formarem não permanecem cá”

Qual acha que seja a causa para o despovoamento das aldeias?
O único ponto que vejo que é comum a todas as aldeias é que os jovens depois de se formarem não permanecem cá, vão todos à procura de novas oportunidades que aqui não têm. Nota-se perfeitamente que as aldeias atualmente estão muito envelhecidas.

O que faz falta para que as aldeias travem o despovoamento?
Tirar a carga negativa que existe à volta do interior do país, falar dele com felicidade, projetar as coisas boas e criar meios de sustentabilidade para a população. Se não houver oportunidades de emprego as pessoas não se fixam por muito bonito que isto seja.

Como prevê o futuro das nossas aldeias do interior?
Eu acho que o interior tem todo o potencial para que se possa desenvolver algo, mas considero que está um pouco esquecido por parte das entidades competentes. Aqui nas aldeias há qualidade de vida, mas acho que isso depende muito das pessoas e da vida que levam. Eu aqui tenho qualidade de vida, mas não posso viver aqui. Para mim é preciso haver um balanceamento entre ambas as partes de forma a conciliar tudo. Acho que quando as pessoas se referem a qualidade de vida, se referem ao facto da humanidade que as aldeias dão e que as cidades não conseguem. Há uns tempos soube de Rota dos Romanos que liga Vale Formoso ao Sarzedo, que ainda existem alguns troços, acho que por exemplo deveriam ser aproveitados para fins turísticos.

“É importante nas aldeias que não se perca o contacto que existe, um simples bom dia, o convívio entre as pessoas.”

Qual a sua opinião em relação ao empenho das entidades competentes?
Eu acho que a realidade das aldeias devia ser tida em conta pelo patamar político central. Eles deviam descer mais ao nível do que é de facto a essência das aldeias, falarem diretamente com as pessoas, não só durante a campanha eleitoral, mas sim durante todo o ano. Acho que a população que vive nas aldeias deve reivindicar pelos direitos que lhe assistem. Há muita gente útil, com ideias e disponibilidade para se fazerem “mexer” as aldeias.

Encontrou muita burocracia quando se instalou na nossa aldeia?
Para mim não houve grande dificuldade a esse nível, mas sei que às vezes não é fácil.

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