A aldeia precisa de investimento na agricultura

João José Nunes, João Zé para os amigos, 62 anos de idade, natural de Aldeia do Souto, atualmente a residir em Lisboa, partilhou-nos a sua opinião em relação à sua terra natal.

Como descreve a sua aldeia?

Acho que Aldeia do Souto é uma aldeia acolhedora com pessoas humildes e que se encontra bem situada, existe muito boa qualidade de vida, diferente da que existe na cidade.

“Na minha infância existia muita rapaziada, eramos cerca de 500 habitantes na aldeia.”

Recorde-nos a sua juventude na aldeia, como passava o tempo?

Guardo muitas lembranças da minha juventude, como jogar à bola, na altura criámos uma equipa e um campo de futebol na aldeia. Muitas vezes, quando não era futebol, jogávamos às “escondidas de agarrar” ou às “apanhadas”, como se chamava naquela época. No Verão íamos ao rio, nadar, mergulhar e também apanhar peixe, enfim tínhamos uma série de atividades. Na altura existia muita rapaziada, eramos cerca de 500 habitantes na aldeia.

“É bom ir à aldeia de vez em quando, nem que não seja para matar as saudades dos tempos de juventude que vivi.”

Não vivendo lá, ainda continua a manter o contacto com a aldeia e a sua gente?

Sim claro, vivi lá até aos meus 17 anos, e faço questão de ir sempre que posso, mais ou menos duas ou três vezes por ano. Nunca me esqueci da aldeia, será sempre a minha aldeia, já não tenho lá família, mas continuo a ir. É bom ir nem que não seja para matar as saudades dos tempos de juventude que vivi.

Apesar de haver menos população, acha que a aldeia evoluiu com o passar dos anos?

Sim, acho que a nível de apresentação da aldeia está muito melhor e também houve muitos melhoramentos em casas antigas e algumas construções novas. As ruas da aldeia estão limpas, existem dois cafés, acho que tem tudo o que a população de lá precisa, não há mais porque as pessoas também já são poucas. A juventude emigra só restam os idosos.

 “(…) temo que as aldeias fiquem desertificadas, as pessoas não têm trabalho logo não se fixam.”

Na sua opinião qual será o futuro desta e de outras aldeias?

Eu sinceramente não acho que haja melhoras, as aldeias irão ficar desertificadas, as pessoas não têm trabalho logo não se fixam na aldeia. Se houver incentivos nestas zonas que estão esquecidas acho que aí sim existia a possibilidade de não se extinguirem. Se ajudassem no investimento da agricultura era bom, existem tantos terrenos abandonados que poderiam ser aproveitados.

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